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Abin Paralela: PF mira Bolsonaro, filho e ex-diretor da agência em megaesquema de espionagem

investigação sustenta que órgão foi aparelhado para monitorar ilegalmente opositores

Bolsonaro sentado prestando depoimento
(Foto: Reprodução)

A Polícia Federal (PF) pediu nesta terça-feira (17) o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), e do ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, atualmente deputado federal.

No total, 31 pessoas foram incluídas no inquérito que ficou conhecido como “Abin Paralela”, que apura o uso ilegal da estrutura da agência para espionar adversários políticos do ex-presidente.

Entre os alvos também estão nomes da atual gestão. A PF incluiu no pedido de indiciamento o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e o número dois da agência, Alessandro Moretti. Ambos foram nomeados na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o inquérito revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, a PF concluiu que houve um conluio entre a antiga e a nova gestão da Abin para ocultar as atividades de espionagem clandestina. A investigação sustenta que a agência foi aparelhada para monitorar ilegalmente opositores do bolsonarismo, com apoio de figuras-chave do governo anterior.

A investigação ganhou destaque com a Operação Última Milha, deflagrada em janeiro de 2023. Na ocasião, a PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Ramagem, incluindo seu gabinete na Câmara e imóveis no Distrito Federal, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O parlamentar se tornou peça central do caso e atualmente está no centro de um impasse entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Câmara dos Deputados, em razão de uma ação penal que ainda tramita na Justiça.

De acordo com os investigadores, o grupo utilizou ferramentas internas da Abin para espionagem política, driblando os limites legais da agência, que é voltada à segurança institucional do Estado — e não de governos. A apuração indica que o monitoramento violava garantias constitucionais, operando à margem de qualquer autorização judicial.

Com o relatório final entregue, o caso agora segue para o Ministério Público Federal (MPF), que decidirá se oferece denúncia formal à Justiça.

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