Em meio à crescente tensão entre Irã e Estados Unidos, Hossein Shariatmadari, influente conselheiro do líder supremo Ali Khamenei e editor-chefe do jornal conservador Kayhan, defendeu publicamente neste sábado (21) uma resposta militar imediata contra navios da Marinha americana no Golfo Pérsico. Ele também pediu o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
A declaração foi publicada no canal oficial do Kayhan no Telegram, após um suposto ataque dos EUA à instalação nuclear de Fordow, localizada cerca de 90 km ao sul de Teerã. O episódio, ainda não oficialmente reconhecido por Washington, teria sido o estopim para a convocação de ações militares por parte de setores mais radicais do regime iraniano.
Segundo Shariatmadari, o Irã deve agir sem hesitação e retaliar de forma direta. Ele sugeriu ataques com mísseis à frota naval americana baseada no Bahrein e o bloqueio do estreito para navios de países ocidentais, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França. A mensagem foi encerrada com uma passagem do Alcorão: “Matem-nos onde quer que os alcancem.”
Estreito estratégico
O Estreito de Ormuz, que separa o Irã de Omã, é considerado um dos pontos mais sensíveis do planeta em termos geopolíticos e energéticos. Qualquer tentativa de bloqueio pode gerar interrupções severas no comércio internacional de petróleo, com impacto direto nos preços globais do combustível.
Repercussão internacional
Embora não tenha sido uma diretriz oficial do governo iraniano, a fala de Shariatmadari é interpretada por analistas internacionais como um sinal claro da crescente beligerância dentro do regime, sobretudo entre os aliados mais próximos de Khamenei. O Kayhan é visto há anos como porta-voz oficioso da ala ideológica mais rígida do poder iraniano.
Nos bastidores, cresce o temor de uma escalada militar no Oriente Médio, especialmente após denúncias de movimentações das forças armadas iranianas próximas a instalações nucleares e bases americanas na região.
A possível retaliação, se concretizada, poderá alterar drasticamente o equilíbrio geopolítico do Golfo e gerar repercussões severas no mercado de energia e na estabilidade internacional.





















































