A partir de 12 de outubro, um dos símbolos mais tradicionais das viagens internacionais começará a dar lugar à tecnologia.
Nesse dia, 29 países europeus deixarão de carimbar passaportes e passarão a adotar o Sistema de Entrada/Saída (EES), que identifica viajantes por meio de dados biométricos, como impressões digitais e reconhecimento facial.
A medida pretende agilizar o fluxo nos aeroportos e reforçar a segurança nas fronteiras.
A mudança na Europa
Entre os países que implantarão o sistema estão França, Espanha, Itália e Alemanha, todos entre os destinos mais visitados do mundo, segundo a Organização Mundial do Turismo.
O abandono do carimbo representa o maior avanço rumo ao fim do passaporte em papel, que até hoje se manteve como documento padrão desde o início do século XX.
Apesar do impacto simbólico, a União Europeia afirma que o novo sistema é inevitável diante do volume crescente de turistas e da necessidade de modernizar processos.
Outros continentes já aderiram
Embora a Europa seja destaque pelo tamanho da mudança, outros países já vinham testando soluções semelhantes. A Austrália foi pioneira no uso da biometria em aeroportos.
Coreia do Sul, Hong Kong, Argentina e Peru também adotaram sistemas que reduzem ou até eliminam a necessidade de carimbo.
No ano passado, o Aeroporto de Changi, em Singapura, se tornou o primeiro do mundo a dispensar totalmente passaportes para seus cidadãos.
Com cabines automatizadas, todo o processo de entrada e saída passou a ser feito apenas com dados biométricos.
Futuro do documento
Um estudo da consultoria americana Oliver Wyman prevê que, até 2030, a biometria será mais comum que a checagem manual em aeroportos.
A expectativa é de que até 2050 exista uma identidade digital reconhecida internacionalmente, capaz de substituir não só o passaporte, mas também cartões de embarque, vistos, certificados de vacinação e outros documentos impressos.
O pesquisador Tom Topol, especialista em história de passaportes e autor de livros sobre o tema, avalia que o processo é inevitável. “Tecnologias sem contato e autenticação biométrica estão transformando a experiência de viagem.
Temos que nos adaptar”, disse em entrevista à Galileu. Para ele, os carimbos ficarão no passado, mas os documentos físicos ganharão valor histórico, e até de coleção.
Uma história que se transforma
O passaporte, tal como conhecemos, surgiu após a Primeira Guerra Mundial, quando a Liga das Nações tentou estabelecer um padrão global.
O formato em caderneta, com fotografia e páginas para carimbos, virou sinônimo de viagem internacional. Cada carimbo representava uma lembrança, tornando-se parte da identidade de quem viajava.
Agora, com a digitalização, o carimbo — que por décadas simbolizou memórias e fronteiras cruzadas — caminha para se tornar apenas uma recordação de época.
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