Em Nova York para abrir a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23/09), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista à emissora PBS e enviou um recado direto ao norte-americano Donald Trump.
Lula afirmou que o republicano “precisa se comportar como um chefe de Estado” diante das recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Críticas às tarifas de Trump
O petista contestou o argumento usado pelo governo americano para justificar a taxação de produtos brasileiros, que citava o julgamento de Jair Bolsonaro.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por tentar dar um golpe de Estado em 2022, Bolsonaro foi lembrado por Lula como exemplo de ataque à democracia.
Segundo o presidente, não faz sentido punir o Brasil por causa do processo judicial contra o ex-mandatário. Ele destacou que os EUA tiveram superávit de mais de US$ 400 bilhões no comércio bilateral nos últimos 15 anos e criticou a narrativa de déficit usada por Trump.
Assista à entrevista:
Defesa do diálogo
Lula reforçou que está aberto a negociações e disse que uma mesa de conversas “não custa nada e não destrói pontes”. Ele afirmou que o Brasil está pronto para manter uma relação civilizada com os Estados Unidos, independentemente de diferenças políticas.
“Um chefe de Estado deve se relacionar com outro chefe de Estado, e não agir como dono do mundo”, declarou Lula, destacando a importância de uma diplomacia equilibrada entre as maiores democracias das Américas.
Leia também
- Professora de Goiânia disputa vaga para ser a primeira mulher astronauta do Brasil
- Alerta de tempestade: veja quais estados serão atingidos pela chuva nos próximos dias
- Em discurso duro, Trump ataca ONU e reivindica Nobel da Paz
- Rede chinesa desafia o Starbucks nos EUA e já movimenta o mercado de café do Brasil; entenda por quê
Quem é a emissora PBS
A entrevista foi concedida à Public Broadcasting Service (PBS), uma emissora pública sem fins lucrativos dos Estados Unidos.
Criada em 1967, a rede sempre funcionou de forma independente em relação ao governo federal e é conhecida por priorizar conteúdos de educação, ciência e cultura.
Lula aproveitou a visibilidade do canal para dar sua mensagem política a um público internacional.
Agenda em Nova York
Além do discurso na ONU, Lula tem compromissos com líderes internacionais e deve se reunir com o secretário-geral António Guterres.
Na segunda-feira (22), ele já participou de debates sobre Palestina e redes sociais, incluindo encontro com o CEO do TikTok. O retorno ao Brasil está previsto para quinta-feira (25).
Impacto e repercussões
A declaração de Lula chega em um momento de tensão entre os dois países e pode aumentar a pressão sobre a relação bilateral.
Diplomatas avaliam que a postura do brasileiro busca marcar posição às vésperas de seu discurso na ONU, mas também abre espaço para que Trump seja desafiado a responder.
O desfecho desse embate, entre a maior potência militar e uma das principais economias emergentes, tende a influenciar não apenas o comércio, mas também o equilíbrio político nas Américas nos próximos meses.
Para mais notícias de política internacional, acompanhe o Instagram @todasasnoticiasbr.





















































