Pela primeira vez na história recente, o setor privado cubano superou o Estado em valor de vendas no varejo. Segundo dados oficiais do Escritório Nacional de Estatísticas, o setor não estatal foi responsável por 55% das vendas em 2024, contra 44% no ano anterior.
O avanço acontece em meio a uma crise prolongada que enfraqueceu o modelo econômico centralizado e abriu espaço para novos empreendedores.
A mudança de cenário marca um momento importante na economia da ilha, tradicionalmente dominada por empresas estatais. O aumento da participação privada também levanta debates sobre o futuro das políticas econômicas adotadas pelo governo.
Crise estatal abriu espaço para empreendedores
Nos últimos cinco anos, o setor público encolheu 11%, afetado por apagões, inflação alta e escassez de produtos básicos. Sem alternativas confiáveis no mercado estatal, consumidores migraram para feiras, pequenos comércios e serviços operados por empreendedores independentes. Embora os preços sejam mais altos, a variedade e disponibilidade de mercadorias atraíram parte da população.
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Importações privadas atingem novo recorde
O ministro da Economia de Cuba, Joaquín Alonso, informou que empresas privadas importaram mais de US$ 1 bilhão em mercadorias no último ano — um crescimento de 34% em relação a 2023. O dado chama atenção porque ocorreu mesmo com queda nas importações totais do país, reforçando a relevância do setor privado no abastecimento interno.
Avanço ocorre mais no valor do que no volume
Economistas alertam que o crescimento registrado nas estatísticas considera o valor das vendas, não a quantidade de produtos comercializados. Isso significa que o aumento é influenciado pelos preços mais elevados no setor privado, enquanto o Estado ainda pratica valores subsidiados. Mesmo assim, especialistas reconhecem que o setor não estatal ocupa hoje um espaço inédito no mercado cubano.
Desafio para o futuro da economia
Com cerca de 1,6 milhão de trabalhadores, o setor privado representa 40% da força de trabalho formal do país. O avanço gera um dilema para o governo: manter a liberalização gradual da economia ou reforçar o controle estatal.
Para muitos analistas, o resultado de 2024 pode ser o início de uma mudança estrutural no modelo econômico cubano.
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